Trechos extraídos de reportagem sobre Teatro no UnB Notícias (Ano 11, n. 83, maio-junho, 2008, p.20)
.Dos quadrinhos para o palco
Inspirado na revista A pior banda do mundo, espetáculo Páginas Amarelas inova na composição espacial e de movimento das cenas. ...
(Por Camila Rabelo / Foto de Diego Bresani)
Uma banda. Vinte e nove anos de ensaio. Nenhuma apresentação. O fracasso de músicos que sonhavam com a carreira artística tornou-se um sucesso no palco. Com um leve tom de ironia, a peça Páginas Amarelas desperta a curiosidade do público e instiga os críticos... / Distante do óbvio, o espetáculo é uma adaptação de cinco volumes da série portuguesa de histórias em quadrinhos A pior banda do mundo, de José Carlos Fernandes. ... [Tatiana Bittar] e cinco colegas apresentaram a peça como trabalho de diplomação no curso de Artes Cênicas [da Universidade de Brasília]... /Fora dos muros da academia, Páginas Amarelas esteve em cartaz em Brasília e recebeu, na Mostra de Teatro Candango, o prêmio de Melhor Direção. Mas o grupo foi aplaudido também no Rio de Janeiro, onde conquistou três estatuetas no Rio Cena (Melhor Trilha Sonora, Direção e Atriz) e foi escolhido o segundo melhor espetáculo entre 15 grupos de todo o país. E não pára por aí. Entre 8 e 25 de maio de 2008, a Cia B de Teatro, formada a partir da peça, ganhará os palcos de Portugal, onde participará da 9ª Edição da Mostra de Teatro de Santo André. / O festival reúne os melhores espetáculos portugueses e, pela primeira vez, receberá grupos internacionais. ...
Pesquisa. “Para entender mais esse universo e sua linguagem, lemos desde A Turma da Mônica (de Maurício de Souza) até quadrinho mudo” (atriz Tatiana Bittar, 27) ...
Trabalho corporal. A precisão nos gestos foi um dos recursos utilizados para aproximar o teatro dos quadrinhos... “Esse é um diferencial. Para chegar ao resultado final, fizemos uma investigação profunda sobre movimento” (diretora Kênia Dias).
Discurso provocativo. “As cenas mantêm a estética da revista. Alguns personagens são vistos em diferentes ângulos” (atriz Ludmilla Valejo, 27).
“Com essa linguagem [tom irônico, discurso pomposo], a revista faz, na verdade, uma provocação aos tempos modernos. Seus personagens beiram o grotesco, mas apresentam características humanas. Batemos o olho e nos apaixonamos por eles” (Ludmila).
Apesar do estranhamento inicial, o espetáculo cativou o público. “Ficamos surpresos com a aceitação do trabalho, porque era tudo muito novo até mesmo para a gente” (Tatiana)
Profissionalismo do elenco e crescimento profissional. “Eles amadureceram de forma muito rápida" (Kênia).
“Essa é uma experiência muito distante das demais apresentações que fiz. O intenso trabalho corporal veio suprir uma lacuna na minha carreira e agora me sinto mais apto para desenvolver outras habilidades” (ator Hugo Leonardo, 27)
... Com a coragem de quem aposta no novo, a Cia B de Teatro não pretende estar rotulada aos elementos usados em Páginas Amarelas, mas vai repetir o trabalho de pesquisa e investigação que deu início ao espetáculo. /... Os jovens atores querem ir ainda mais longe: conseguir um espaço para poderem criar, apresentar e fazer oficinas de interpretação. Talento, eles já provaram que têm.
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